CINEMA & EDUCAÇÃO

Dedicado a professores, alunos e amantes da 7ª Arte…

O GRANDE DITADOR

Profa. Mariana A. Costa

(The Great Dictator)

 Gênero: Comédia

Duração: 124 minutos

Lançamento: 1940

País: Estados Unidos

Classificação etária: Livre


FICHA TÉCNICA

Direção: Charles Chaplin

Roteiro: Charles Chaplin

Produção: Charles Chaplin  

Fotografia: Roland Totheroh, Karl Struss

Música original: Charles Chaplin, Meredith Willson

Direção/Supervisão Musical: Meredith Willson

Edição: Willard Nico

Direção de Arte: J. Russell Spencer

Guarda-Roupa: Ted Tetrick, Wyn Ritchie

Maquiagem: Ed Voight

Efeitos Sonoros: Glenn Rominger, Percy Townsend

Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Ralph Hammeras

  

ELENCO

Henry Daniell – Garbitsch

Charles Chaplin – Adenoid Hynkel

Charles Chaplin – Barbeiro Judeu

Jack Oakie – Benzini Napaloni

Reginald Gardiner – Comandante Schultz

Billy Gilbert – Marechal de Campo Herring

Grace Hayle – Madame Napaloni

Paulette Goddard – Hannah

Emma Dunn – Sra. Jaeckel

Richard Alexander – Guarda da Prisão na Tomânia

Pat Flaherty – Soldado de cavalaria

Sig Arno – Inventor de um pára-quedas compacto

Maurice Moscovitch – Sr. Jaeckel

Tiny Sandford- Soldado da Tomânia

Leo White – Barbeiro de Hynkel

Hank Mann – Soldado de cavalaria

Don Brodie – Repórter da Imprensa Internacional

George Lynn – Comandante

Chester Conklin – Cliente do Barbeiro

Carter DeHaven – Embaixador de Bacteria

Esther Michelson – Mulher judia

Florence Wright – Secretária

John Davidson – Superintendente do Hospital

 

SINOPSE

Durante a 1ª Guerra Mundial, um barbeiro judeu perde a memória em um acidente, no qual salva a vida do piloto militar Schultz.  Anos depois, ao retornar à barbearia, ele encontra a Tomânia sob o domínio do ditador Adenoid Hynkel e os judeus restritos ao gueto.

Hynkel, cuja imponência arranca saudações de multidões, planeja dominar o mundo e o primeiro passo é invadir o país vizinho, Osterlich.  A estratégia também inclui o extermínio dos judeus, capturados e mandados aos campos de concentração.

O barbeiro judeu e o agora comandante Schultz, acusados de defenderem os interesses do povo perseguido, vão presos. A dupla consegue fugir e, devido às semelhanças físicas, o barbeiro é confundido com o ditador e acaba discursando em seu lugar.

 –

 PRÊMIOS

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Ator (Charles Chaplin)

Prêmios Jussi, Finlândia

Jussi de Melhor Filme Estrangeiro (Charles Chaplin)

INDICAÇÕES

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Filme

Oscar de Melhor Roteiro Original

Oscar de Melhor Ator (Charles Chaplin)

Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Jack Oakie)

Oscar de Melhor Trilha Sonora

TEMA

Regimes autoritários; Nazismo; Antissemitismo; Macarthismo.

CURIOSIDADES

– Chaplin era judeu.

– O discurso final do filme foi rodado após 458 dias de filmagem, em 5 de junho de 1940, dia em que Hitler marcha sob Paris para saborear sua conquista.

– Após 559 dias de filmagem, finalmente o filme estava pronto. Tornou-se o filme mais lucrativo de Chaplin, apesar de ter sido proibido na Europa e América do sul.

– De acordo com os arquivos dos filmes que Hitler havia pedido para passar, O Grande Ditador foi assistido duas vezes.

– Chaplin disse que jamais teria feito o filme se soubesse a íntegra dos crimes de Hitler.

– Ao fim da guerra, imagens de quando os Russos entram na Chancelaria alemã, em meio aos destroços, uma cena chama a atenção: curiosamente havia um objeto intacto, o globo onde Chaplin protagoniza uma das cenas mais inesquecíveis do cinema.

ATIVIDADES SUGERIDAS

1 – Qual o tema do filme? O que os realizadores do filme tentaram nos contar? Eles conseguiram passar sua mensagem? Justifique sua resposta.

 2 – Você assimilou/aprendeu alguma coisa com este filme? O quê?

 3- Algum elemento do filme não foi compreendido?

 4 – Do que você mais gostou neste filme? Por quê?

 5- Qual o seu personagem favorito no filme? Por quê?

 6- Qual é o personagem de que você menos gostou? Por quê?

7-  A imagem abaixo mostra o ditador Adenoyd Hinkel observando um globo terrestre. Essa cena é uma das cenas mais marcantes do cinema e pode suscitar debates interessantes em sala de aula:

– Peça para que os alunos comentem a cena anotando suas principais impressões.

– Relacionando com a mentalidade expanssionista Nazista, a ideia da utilização do globo chama a atenção. Porquê? O que Chaplin quis mostrar com essa cena?

– Ao final da cena, o globo explode e o ditador fica frustrado… peça para os alunos analisarem qual a intenção de Chaplin com esse “desfecho”.

8- Faça uma breve pesquisa sobre os principais acontecimentos da época em que o filme foi lançado.

 9 – Se possível, recomendamos ao professor que vá trabalhar com o filme O Grande Ditador que assista também o documentário “The tramp and the Ditactor” (O vagabundo e o ditador) encontrado no disco dois (dvd de extras) do filme.

Esse documentário estabelece uma interessante comparação entre CHAPLIN e HITLER, a começar pela primeira frase, proferida pelo narrador (o ator e diretor Kenneth Bragnnah): Charles Chaplin e Adolf Hitler “tinham muito mais em comum do que o bigode: Nasceram na mesma semana, no mesmo mês, no mesmo ano. […] Destes dois parias que deixaram a pátria para conquistar o mundo, um tornou-se o mais amado e o outro, o mais odiado da sua época”.

10 – Divida a sala em 2 grupos e peça para que pesquisem sobre a biografia de Adolf Hitler, “símbolo de destruição” e Charles Chaplin, “símbolo de riso”.

11 –  Apresente um trecho de O triunfo da vontade onde Hitler discursa junto com a cena do discurso de Adenoyd Hynkel (Chaplin) em O grande ditador. Em seguida, apresente o comentário feito pela historiadora Brigitte Harmann no documentário “The tramp and the Ditactor”: “Obviamente ele conquistou o poder pela palavra. Isso se deu pouco a pouco e seu entusiasmo cresceu. Aperfeiçoou seu talento e até fez curso de teatro para intensificar seu impacto.”. Questione aos alunos qual a importância dos discursos de Hitler, seu impacto, seu poder de convencimento e fascínio sobre a sociedade alemã.

12 –  Qual a atitude de Hollywood durante a ascensão Nazista e a Segunda Guerra Mundial? Nessa época, quais tipos de filmes em geral foram produzidos? Nesse contexto, qual a importância de O Grande Ditador para a época?

13 – Antes deste filme, Chaplin nunca havia falado no cinema. De acordo com um entrevistado no documentário “The tramp and the Ditactor”, Chaplin achava que falando com o coração, poderia encurtar a guerra.

Após apresentar essas informações para os alunos, peça para que analisem o discurso final do filme*.

13 – Em 1952 Chaplin tem a entrada impedida nos EUA por conta do clima político do Macarthismo. Peça para os alunos pesquisarem o q foi o Marcathismo relacionando o ultimo discurso de O Grande ditador com tal acontecimento.

* O último discurso de “O Grande Ditador” na íntegra:

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Um comentário em “O GRANDE DITADOR

  1. Emanuelly
    9 de abril de 2014

    Alguém poderia deixar as respostas destas perguntas ?

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