CINEMA & EDUCAÇÃO

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CABRA MARCADO PARA MORRER

Profª Mariana A. Costa

Gênero: documentário

Duração: 119 min.

Lançamento: 1964/84

País: Brasil

 

FICHA TÉCNICA

Direção e roteiro: Eduardo Coutinho

Produção: Mapa Filmes e Eduardo Coutinho Produções Cinematográficas

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ELENCO

Eduardo Coutinho …. ele mesmo

Ferreira Gullar …. narração

Tite de Lemos …. narrador


SINOPSE

No início da década de sessenta, um líder camponês. João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois o Diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, dispersados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

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TEMA

Ligas camponesas; Golpe 1964; reforma agrária; Ditadura Militar brasileira;

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PREMIAÇÕES

XXXV Festival de Berlim 1985 (Berlim/Alemanha)

– Recebeu os prêmios FIPRESCI e Interfilm do Fórum de Cinema Jovem.

FesTróia – Festival Internacional de Cinema de Tróia 1985 (Setúbal/Portugal)

– Recebeu o Golfinho de Ouro.

VI Festival do Novo Cinema Latino-americano 1984 (Havana/Cuba)

– Recebeu o Prêmio Coral na categoria de Melhor Documentário.

I FestRio 1984 (Rio de Janeiro/RJ)

– Recebeu o Tucano de Ouro na categoria de Melhor Filme, o Prêmio da Crítica, o Prêmio OCIC (Ofício Católico Internacional de Cinema) e o Prêmio D. Quixote da FICC (Festival Internacional de Cinema).

13º Festival do Cinema Brasileiro de Gramado 1985 (Gramado/RS)

– Prêmio Hours Concours.

Festival de Cine Realidade 1985 (Paris/França)

– Recebeu o Grande Prêmio.

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CURIOSIDADES

– O filme originariamente era uma produção de 1964, com o mesmo diretor, e que foi interrompida pelo Golpe de 1964. Vinte anos depois foram reunidos os mesmos técnicos, locais e personagens reais para contar a sua história.

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CONTEXTO HISTÓRICO

As Ligas Camponesas vinham sendo criadas desde meados dos anos 50 com o objetivo de conscientizar e mobilizar o trabalhador rural na defesa da reforma agrária. Durante o governo de João Goulart (1961-64), o número dessas associações cresceu muito e, junto com elas, também se multiplicavam os sindicatos rurais. Os camponeses, organizados nessas ligas ou em sindicatos ganharam mais força política para exigir melhores condições de vida e de trabalho.

A renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961, após apenas sete meses de governo, abriu uma grave crise política, já que seu vice, João Goulart, não era aceito pela UDN e pelos militares, que o acusavam de promover agitação social e de ser simpático ao comunismo. Assim como esses setores eram contrários à posse de Jango, existiam outros que defendiam o cumprimento da Constituição, como o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

O impasse foi resolvido com a adoção do regime parlamentarista de governo, aprovado pelo Congresso. Com esse regime, Jango era apenas chefe de Estado, sendo que o poder efetivo de decisão estava nas mãos de um primeiro-ministro escolhido pelos deputados e senadores.

Diante da crise econômica, o regime parlamentarista imposto pelos conservadores, se mostrava ineficiente, com a sucessão de vários primeiros-ministros, sem que a crise fosse atenuada. Esse cenário fortalecerá o restabelecimento do presidencialismo, conquistado através de um plebiscito em 6 de janeiro de 1963. Reassumindo a plenitude de seus poderes, Jango lançou as reformas de base apoiadas por grupos nacionalistas e de esquerda.. Elas incluíam a reforma agrária, a reforma do sistema bancário, a reforma tributária e a reforma eleitoral.

Muitos comícios foram organizados em apoio às reformas, destacando-se um comício-gigante realizado na Central do Brasil do Rio de Janeiro em 13 de março. A mobilização popular nos comícios assustava as elites que, articuladas com as forças armadas e apoiadas pelos setores mais conservadores da Igreja, desferiram um golpe de Estado em 31 de março de 1964.

No dia seguinte, o controle dos militares sobre o país era total e, no dia 4, Goulart se auto-exilou no Uruguai, sem impor qualquer resistência aos golpistas, temendo talvez o início de uma guerra civil no país.

Iniciava-se assim um dos períodos mais obscuros da história do Brasil, com 21 anos de ditadura militar que promoveu uma violenta onda de repressão sobre os movimentos de oposição, além de ter gerado uma maior concentração de renda, agravando a questão social, produzindo mais fome e miséria. Os “anos de chumbo” da ditadura ocorreram após o AI5 (Ato Institucional número 5), no final do governo Costa e Silva (1968), estendendo-se por todo governo Médici (1969-1974).

(disponível em: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=242)

 DICA DE LEITURA

YAKHNI, Sarah. “Cabra marcado para morrer” – um filme que faz história. Disponível em: http://www.mnemocine.com.br/cinema/crit/sarahcabra.htm

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