CINEMA & EDUCAÇÃO

Dedicado a professores, alunos e amantes da 7ª Arte…

Avanços e retrocessos: considerações sobre a trajetória do uso do cinema na sala de aula

Por Mariana A. Costa*

As discussões sobre cinema e educação no Brasil já estavam presentes nos primeiros anos do século XX. Em 1910, foi criada a Filmoteca do Museu Nacional, e em 1912, o professor Roquette Pinto trazia, da atual Rondônia, os primeiros filmes dos índios Nambiquara. A partir daí, o cinema educativo surgiu em diversos pontos do país. (MONTEIRO, 2002, p. 1)

Na década de 1920, na esteira da grande reforma da educação brasileira, as discussões sobre cinema como agente pedagógico se acentuaram. Em 1927, foi criada a “Comissão de Cinema Educativo”, organizada por Fernando de Azevedo e, em 1929, ele, então diretor do Departamento de Educação do Distrito Federal, determina o emprego do cinema em todas as escolas primárias, assim como a instalação de aparelhos de projeção. Neste mesmo ano, ainda no Distrito Federal, realiza-se a 1ª exposição de cinematografia educativa. (ANDRADE, 1962)

Já na década seguinte, durante o Governo Vargas, a questão sobre o cinema educativo foi alvo de intensas prescrições educacionais. Em 1930, foi publicada a obra Cinema e Educação dos professores Jonathas Serrano e Francisco Venâncio Filho. Em 1931, Cinema contra cinema: bases geraes para um esboço de organização do cinema educativo no Brasil, do cineasta Canuto Mendes de Almeida e, em 1939, Roberto Assumpção Araújo apresenta a tese O cinema sonoro e a Educação, ao concurso para técnico de educação. Essas obras conclamam os educadores a participarem da campanha em prol do “bom” cinema, argumentando que o mesmo pode interferir na formação moral dos jovens, propondo, por tanto, o cinema para “o bem”, contra o cinema para “o mal”. (MORETTIN, 1995)

A preocupação não ficou restrita apenas a teoria. Em 1933, no Distrito Federal, foi criada a Biblioteca Central de Educação, com uma Divisão de Cinema Educativo para fornecer filmes às escolas públicas do Rio de Janeiro (ANDRADE, 1962). Em 13 de janeiro de 1937, o então presidente Getulio Vargas, e Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, assinaram a lei nº 378 que criou o Instituto Nacional de Cinema Educativo: “Fica creado o Instituto Nacional de Cinema Educativo, destinado a promover e orientar a utilização da cinematographia, especialmente como processo auxiliar do ensino, e ainda como meio de educação popular em geral.” (BRASIL, 1937, p.5)

Edgard Roquette Pinto, médico, professor e pioneiro das comunicações no Brasil, foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Cinema Educativo, o INCE. O cineasta mineiro Humberto Mauro foi nomeado para o cargo de Chefe de Serviços Técnicos e em 29 anos realizou mais de 350 filmes pedagógicos e científicos. De acordo com Monteiro (2002), Roquette Pinto proveu o INCE de uma filmoteca direcionada para a preservação dos filmes brasileiros, que, no ano de 1943, já possuía um acervo de 587 filmes em 16 e 35mm em permanente contato com escolas (232 registradas). Com a colaboração do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos e das Secretarias de Educação dos estados, toda escola que possuísse um projetor[1] sonoro de 16mm receberia a doação de quatro filmes como prêmio (sugerido pelo diretor do INCE e instituído pelo Ministro da Educação). Para Franco (1993, p. 12) as entidades religiosas contribuíram para a formação de uma imagem preconceituosa em torno do cinema de espetáculo, lançando bases para a construção de uma pedagogia do cinema com tendências à censura prévia da produção comercial e à construção de um universo paralelo: a cinematografia educativa. Nesse sentido, para Palma (2006, p.6), em seus trinta anos de existência, o INCE (substituído pelo INC[2]) foi a “maior experiência do cinema educativo no Brasil”.

Ainda que o INCE tenha sido criado principalmente para produzir filmes pedagógicos, surgem nas décadas de 1930 e 1940 intensos debates em torno do uso do “filme educativo” e do “filme comercial”. Sobre esse assunto, no início da década de 1940, Roquette Pinto já demonstrava ter uma visão abrangente da modernidade e de acordo com Franco conhecia a realidade internacional em torno do cinema educativo. Em 1944, já afirmava a importância do uso do cinema na educação, sobretudo o uso do “cinema de espetáculo”:

Não é raro encontrar, mesmo no conceito de pessoas esclarecidas, certa confusão entre cinema educativo e cinema instrutivo. E certo de que os dois andam sempre juntos e muitas vezes é difícil ou impossível dizer onde acaba um e começa o outro, distinção que aliás não tem muita importância na maioria das vezes. No entanto é curioso notar que o chamado cinema educativo em geral não passa de simples cinema de instrução. Porque o verdadeiro educativo é outro, o grande cinema de espetáculo, o cinema da vida integral. (ROQUETTE PINTO, 1944 apud FRANCO, 1993, p.13)

Favareto (apud Palma, 2006) afirma que, na década de 1950 a preocupação com a influência do cinema na vida das crianças e dos adolescentes continuava, sobretudo quanto à função da ampliação do alcance do cinema estadunidense como indutor do “American Way of Life”. Em 1953, a Conferência de Bispos do Brasil resolve criar o “Centro de Orientação Cinematográfica” destinado à formação de espectadores e presidido pelo padre Guido Logger, que em 1954 inicia cursos de cinema na “Ação Social Arquidiocesana”. (ANDRADE, 1962)

Nos anos 1960, houve um recrudescimento com relação à perniciosidade do cinema, ancorada na “Juventude Transviada”. De um lado, a Igreja, por razões morais, acreditava que era importante proteger crianças, adolescentes e jovens. Em 1965, o padre Guido Logger publica a obra Educar para o cinema, a qual reflete essa preocupação: “A problematica começa quando se trata de imoralidades menos reconhecíveis, ou de tendências que solapam ou embrutecem a consciência moral”. (p. 9) Para ele, “crianças e jovens têm seu encontro com o cinema sem preparação alguma” o que causaria uma influência negativa: “A juventude não é conduzida, mas seduzida pelo cinema; deformada, em vez de formada.” (p. 11) Diante dessas afirmações, Logger propõe um caminho: “o caminho da educação e da pedagogia para o saneamento da apreciação cinematográfica. É preciso ativar o espectador jovem ou adulto, criar uma consciência cinematográfica.” (p. 21) De outro lado, o Estado, era contra o avanço do cinema, sobretudo o de natureza política. Entretanto, educadores discutiam o uso do cinema como instrumento de modernidade em sala de aula. Em Cinema e educação, de 1967, Irene Tavares de Sá apresenta o cinema como um “valioso instrumento de educação”, apontando-o como “uma escola de costumes, um instrumento de educação, uma nova técnica a serviço da informação, da ciência e até mesmo da política.” (SÁ, 1967. p.13), Sá também observa a importância dos jovens valorizarem os aspectos positivos dos filmes:

Ensinemos pois aos jovens a ver cinema, tornando-os capazes de analisar uma película, valorizando-lhe os elementos positivos e desprezando os negativos. Quando um jovem aprende a ver e apreciar um filme espontaneamente passa a rejeitar o que é grosseiro e vulgar. (SÁ, 1967. Pp. 18-19)

No início dos anos 1970, nos anos de chumbo da Ditadura Militar Brasileira, época da reforma educacional de cunho tecnicista, a relação entre cinema e educação realçou metodologias de trabalho que evidenciavam a importância estratégica dos recursos audiovisuais em consonância com a sociedade tecnológica e a sociedade de consumo. Assim, o cinema aparece instrumentalmente como técnica e recurso didático.

Em obras como Recursos audiovisuais para o ensino, de Oscar Manuel de Castro Ferreira e Plínio Dias da Silva Junior (1975) e Meios de ensino, de Maria José Guedes (1978), manifesta-se uma clara tendência instrumental tecnicista: numa espécie de “manuais de ensino”, estes estudiosos ditam minuciosamente como o filme deve ser usado antes, durante e após a projeção.

Guedes (1978) faz diversas recomendações ao professor sugerindo que o mesmo pratique “operacionalmente” na sala de aula, já Ferreira e Silva Junior, prescrevem que após selecionar e revisar o filme, o professor deve: “preparar a projeção” (observando se o filme não tem defeito); “preparar os alunos” (verificando o que eles sabem sobre o tema e explicando o que se espera que eles aprendam com o filme); “projetar o filme” (fazendo a apresentação do filme, e se possível projetando-o dentro de seu horário de aula) e “comentá-lo imediatamente após a projeção” (através desse procedimento, pode-se descobrir se algum ponto ficou sem esclarecimento, e se é necessário uma segunda projeção da película). Após esse verdadeiro passo a passo, os autores sugerem que se ponha a prova o conteúdo do filme a partir de avaliações escritas: “para que a película tenha eficácia na classe, deve-se tratá-la da mesma maneira que os livros e outros instrumentos de ensino.” (p.110) Outra recomendação importante, é com relação a forma de avaliação, onde a eficácia do filme pode ser observada pelo professor nas provas escritas e na apreciação da película pelos alunos, baseada no “agrado ou desagrado, na motivação para novos estudos e leituras, nas perguntas relacionadas com a projeção e comentários correspondentes.” (p.110) Para tanto, o professor deve registrar suas experiências em “fichas”:

Todo professor deve ter uma folha de avaliação onde registra os dados importantes, relativos à eficácia do material cinematográfico. Convém ter uma folha uniforme para o uso dos professores de uma mesma escola para que seja possível manter um registro permanente de todos os filmes e de outros materiais didáticos que se empreguem. (p. 110)

 Em contraste às obras publicadas no Brasil na década de 1970, está Cine Formativo do professor espanhol José Serra Estruch. Ela propõe a “liberação do espectador”, o rompimento da passividade diante da imagem:

Es necesaria uma educación cinematográfica. Saber leer y escribir lãs imágenes no es cosa que se nos da espontáneamente, como tampoco ocurre em La interpretación de las letras o de cualquier arte. (SERRA ESTRUCH, 1970. p.13)

É oportuno indagar como num período de prescrição do uso técnico do cinema na sala de aula e do controle do Estado Ditatorial no Ensino, essa obra foi publicada e circulou em território nacional.

Com a redemocratização nacional, a partir de meados dos anos 1980, por meio de intensas discussões pedagógicas, os educadores acreditavam que o filme não deveria ser tratado apenas como motivação para temas e problemas ou como técnica. Assim, para Favaretto (2004), desde essa época o cinema tem ultrapassado a função didático-pedagógica em sala de aula, sendo tratado de modo específico e despertando o interesse de pesquisadores em educação:

Como objeto de investigação em educação, definindo campos de problematização do trabalho educativo ou como um modo de sensibilidade e do pensamento voltados para uma singular produção de sentido ou, ainda, como um recurso didático que permite motivar e analisar problemas de natureza diversa – históricos, sociológicos, filosóficos, psicológicos etc. o cinema comparece hoje nas atividades culturais como uma das instâncias para a efetivação da ampla base cultural requerida pela educação. (FAVARETTO, 2004 apud PALMA, 2006, p.12)

Silva (2009) aponta que, entre 1988 e 1997, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação editou diversos tipos de publicações, “cada uma com formato e foco peculiar” (p. 219), entre eles, a série Apontamentos, as coletâneas Lições com Cinema e a revista Quadro a quadro, obras destinadas a professores de escolas públicas de São Paulo. Para ela, essas publicações são de grande relevância, sobretudo “por conta dos temas abordados, do seu projeto editorial, da qualidade dos textos e da qualificação dos profissionais que escreveram os artigos”. (p.250) Dentre essas obras destacamos o texto publicado no primeiro volume da série Lições com Cinema: A natureza pedagógica das linguagens audiovisuais de Marília da Silva Franco, citada no presente trabalho.

Em 1996 Riolando Azzi publicada a obra “Cinema e educação: orientação pedagógica e cultural de vídeos”, trazendo aos educadores orientações para o uso de alguns filmes disponíveis em vídeo. No ano seguinte, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo é defendida por Maria Lúcia Morrone a Dissertação de Mestrado Cinema e Educação (1920-1945): a participação da imagem em movimento nas diretrizes da educação nacional e nas práticas pedagógicas escolares, onde analisa a origem e os fundamentos históricos dos movimentos em defesa da utilização do cinema na primeira metade do século XX.

Do final da década de 1990 para cá, o uso do cinema em sala de aula vem sendo debatido com maior intensidade, tanto no âmbito escolar quanto no âmbito acadêmico (fato explicitado pelo número crescente de teses em torno do tema).

No começo dos anos 2000 são publicadas duas obras de referência: Cinema & educação em 2002, de Rosália Duarte e em 2003, Como usar o cinema na sala de aula, de Marcos Napolitano. É importante destacar que esses dois trabalhos nos instigaram a iniciar a iniciar a presente pesquisa.

Em Cinema & Educação, Duarte (2002) afirma que todo indivíduo, ao entrar em contato com o cinema, desenvolve o que Pierre Bourdieu chamou de “competência para ver”, ou seja, analisar, compreender e admirar qualquer história transmitida em linguagem cinematográfica. Para ela, “[...] analisar filmes ajuda professores e estudantes a compreender (apreciar e, sobretudo respeitar) a forma como diferentes povos educam/formam as gerações mais novas” (p. 106). Ela destaca também a importância do cinema como forma de socialização dos indivíduos em instâncias culturais diferentes para a produção de saberes e identidades para definir a forma como o indivíduo vê o mundo. Trilhando o mesmo caminho, em Como usar o cinema na sala de aula, Napolitano (2003) debate a relação do cinema com a escola, enfatizando a linguagem e a história do cinema e prescrevendo alguns procedimentos e estratégias para o uso do cinema na sala de aula. O autor questiona como o cinema, mesmo tendo sido pensado como linguagem educativa, “[...] não tem sido utilizado com a frequência e o enfoque desejáveis [...]” Afirma ainda que, em grande parte das experiências relatadas, os professores “[...] se prendem ao conteúdo das histórias, às “fábulas” em si, e não discute os outros aspectos que compõem a experiência do cinema” (2003, p. 7).

Em 2004, Maria da Graça Jacintho Setton organiza a obra A cultura da mídia na escola: ensaios sobre cinema e educação, uma coletânea contendo textos atuais de especialistas na área (como Marília da Silva Franco e Rosália Duarte) que refletem sobre perspectivas atuais envolvendo cinema e educação.

Em 2005, Nielson Ribeiro Modro publica Cineducação: usando o cinema na sala de aula, esse livro foi um dos desdobramentos de um projeto nascido em 2003[3], na Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e traz a análise de 39 filmes que podem ser utilizados em sala de aula com finalidade didática, para “explicitar ou complementar algum assunto que porventura viesse a ser trabalhado com os alunos.” (MODRO, 2006, p. 9) Para o autor, ao se trabalhar com filmes os objetivos devem “ser bem claros, e sempre voltados para a apresentação ou complementação de conteúdos.” (Ibidem, p. 13) Na esteira do sucesso do primeiro volume, é publicado em 2006 o segundo volume Cineducação 2: usando o cinema na sala de aula, agora com 51 filmes analisados.

Ainda no ano de 2006, Ana Nicolaça Monteiro defende a Dissertação de Mestrado O cinema educativo como inovação pedagógica na escola primária paulista (1933-1944) na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Na pesquisa, a autora analisou as finalidades apresentadas para a adoção do uso do cinema, a infraestrutura para a sua utilização e a divulgação de filmes; buscando constatar a circulação de saberes e indicações pedagógicas para o uso desse recurso de ensino tentando, assim, perceber as práticas escolares. Em meio às transformações ocorridas no período marcado pela modernização do ensino, o estudo procurou entender a forma pela qual o Cinema Educativo contribuiu para a configuração da cultura escolar paulista.

No ano seguinte, Roseli Pereira Silva publica a obra Cinema e Educação, onde propõe uma “educação em valores” usando como meio o cinema. Essa autora defende o uso de filmes dramáticos em sala de aula, argumentando que o grande potencial desses filmes é o impacto que causa, ampliando a possibilidade de escuta, questionamento e reflexão do aluno. (SILVA, 2007, p.211)

Em 2008, a editora autêntica edita a coletânea A escola vai ao cinema organizada pelos professores Inês Assunção de Castro e José de Souza Miguel Lopes. Para os autores,

“[...] tal como a palavra escrita, a imagem precisa ser decifrada e compreendida, para dela melhor se retirar toda mensagem, para melhor usufruirmos seu prazer [...] E, por tanto, urgente exercitar os professores, como também os jovens, nossos estudantes, no seu manuseio.” (p.14)

Para tanto, a escola é o local de partida mais indicado. A obra traz análises de educadores em relação a filmes que tratam de temas educacionais. São analisados 13 filmes, e no final da obra, há uma sugestão de atividades a serem desenvolvidas a partir dos filmes e dos textos.

Em 2009, como parte do Projeto O cinema vai a escola, a FDE publica o “Caderno de Cinema do Professor”, em dois volumes. O primeiro traz sinopses dos filmes participantes do projeto, bem como informações técnicas, comentários e sugestões de atividades. O segundo volume traz textos de especialistas (como Marcos Napolitano e Eduardo Morettin) sobre a história do cinema, possibilidades de uso em sala de aula, sua linguagem etc. Essas obras foram destinadas a professores de Ensino Médio de escolas estaduais de São Paulo.

Ainda em 2009, Ana Cristina Venancio da Silva defende a Dissertação de Mestrado: Uma videoteca para a educação: o projeto Ceduc-vídeo, a videoteca pedagógica e as publicações sobre cinema e educação produzidas na Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE entre 1988 e 1997. Nessa obra, a autora faz o levantamento, a organização e a descrição das ações, relativas ao cinema e a educação, realizadas na FDE, destacando as iniciativas implantadas pelo projeto Ceduc-vídeo, responsável pelo crescimento de uma Videoteca Pedagógica. Entre 1988 e 1997, a FDE foi palco de várias ações que visaram a promover a entrada do cinema e do vídeo na escola: montou uma videoteca circulante, produziu e distribuiu vídeos e filmes educativos, editou diferentes tipos de publicações sobre o tema e, dentre outras ações, realizou seminários entre cineastas, pesquisadores e educadores.

Com o avanço tecnológico dos últimos anos, a internet tornou-se um vasto meio para divulgação de textos e materiais sobre cinema e educação. Encontramos alguns sites dedicados ao tema, assim como alguns blogs de professores contando suas experiências sobre o uso de filmes em sala de aula. Entre os sites encontrados, podemos citar o site www.modro.com.br, mantido pelo professor Nielson Modro (autor do livro Cineducação, o qual já abordamos anteriormente) e por estudantes da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE. O site foi criado em 2005 e funciona como apoio didático a professores interessados em trabalhar com cinema em sala de aula. O site apresenta uma seleção de mais de 130 filmes, com informações relevantes como ficha técnica e sinopse, bem como algumas sugestões de trabalho, que podem vir a ser desenvolvidas em relação ao filme.

Igualmente destacamos o site Mnemocine[4], existente desde 1999. Trata-se de um instrumento significativo para professores, estudantes e pesquisadores, pois compreende informações básicas sobre a técnica cinematográfica, indicações de acervos, bibliografia, links e instituições de ensino e pesquisa, bem como publicações de resenhas e ensaios assinados por convidados e colaboradores especialistas em cinema, educadores etc. Outra facilidade proporcionada pela internet nos últimos anos da década de 2000, é a realização de cursos sobre cinema on-line. Como exemplo, podemos citar o Curso de Cinema On-line[5] oferecido pela Labor/UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. Trata-se de um curso gratuito, que objetiva a compreensão de itens básicos como técnicas de linguagem, biografias, filmografias, além de incluir trechos de filmes que podem ser vistos on-line. Este curso é interessante tanto para professores quanto para alunos que almejem adquirir um pouco mais de conhecimento sobre cinema.

Referências Bibliográficas

 ALMEIDA, Joaquim Canuto Mendes de. Cinema contra cinema: bases geraes para um esboço de organização do cinema educativo no Brasil. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1931.

 ANDRADE, Rudá. Cronologia da Cultura Cinematográfica no Brasil. São Paulo: Fundação Cinemateca Brasileira, 1962.

 BERNADET, Jean-Claude. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 1981.

 BRASIL. Ministério da Educação e Saúde Pública. Lei de n. 378, de 13 de janeiro de 1937. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/L378.pdf&gt; Acesso em: 14 Out. 2009.

 COSTA, Mariana A. O cinema na sala de aula: avanços e retrocessos. Iniciação Científica, Digitado, 2010.

 DUARTE, Rosália. Cinema & educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

 FERREIRA, Oscar M. de Castro; SILVA JÚNIOR, Plínio Dias da. Recursos Audiovisuais para o ensino. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1975.

 FRANCO, Marília da Silva. A natureza pedagógica das linguagens audiovisuais. In: Lições com cinema, 1. São Paulo: FDE, 1993.

 LOGGER, Guido. Educar para o cinema. Petrópolis: Vozes, 1965.

 MODRO, Nielson Ribeiro. Cineducação 2: usando o cinema na sala de aula. Joinville, SC: UNIVILLE, 2006.

 MONTEIRO, Marialva. Cinema na Escola: a vocação educativa dos filmes. In: Boletim Diálogos Cinema – Escola (PGM 4), 2002. Disponível em: < http://tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/dce/dcetxt4.htm&gt;. Acesso em 15 dez. 2009.

 MORETTIN, Eduardo Victorio. Cinema educativo: uma abordagem histórica. In: Revista Comunicação e Educação, ano II, n. 4, 1995.

 NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.

 NAPOLITANO, Marcos. Cinema: experiência cultural e escolar. In: SÃO PAULO (ESTADO) SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. Caderno de cinema do professor: dois. São Paulo: FDE, 2009. (Pp. 10-31)

 PALMA, Cintia Mara de Souza. Projeto Cinema em Foco. São Paulo, Universidade Mogi das Cruzes, 2006. Digitado.

 SÁ, Irene Tavares de. Cinema e educação. Rio de Janeiro: Agir, 1967.

 SERRA ESTRUCH, José. Cine formativo. Espanha: Editorial Nova Terra, 1970.

 SERRANO, Jonathas; VENANCIO FILHO, Francisco. Cinema e educação. São Paulo; Companhia Melhoramentos de São Paulo, 1930.

 SILVA, Ana Cristina Venâncio da. Uma videoteca para a educação: o projeto Ceduc-vídeo, a videoteca pedagógica e as publicações sobre cinema e educação produzidas na Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE entre 1988 e 1997. 2009. 336 f. Dissertação. (Mestrado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

SILVA, Roseli Pereira. Cinema e Educação. São Paulo: Cortez, 2007.

TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro; LOPES, José de Souza Miguel (Org.). A escola vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.


*Graduada em História pela Universidade de Mogi das Cruzes.

[1] É importante lembrarmos que nesta época não existia vídeo cassete. Essa é uma invenção dos anos 1970, que começou a ser disseminada no Brasil somente a partir da década de 1980. A partir de meados dos anos 1990, no entanto, o vídeo foi sendo substituído gradativamente pelo DVD.

[2] O Instituto Nacional de Cinema (INC) foi um órgão gestor do cinema brasileiro criado em 1966. Em 1969 foi incorporado pela Embrafilme (estatal brasileira produtora e distribuidora de filmes cinematográficos), sendo definitivamente extinto em 1975. A Embrafilme foi extinta em 1990 e desde 2001, suas funções são feitas pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), órgão oficial do governo federal, constituída como agência reguladora cujo objetivo é fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica nacional.

[3] Durante as aulas da disciplina Literatura e Cinema (eletiva), surgiu uma ideia entre professores e alunos para a realização de um site que servisse de apoio didático para professores que quisessem utilizar filmes em sala de aula, não apenas passando o filme mas também utilizando-o como subsídio para enriquecimento da aula e fonte inicial de discussões posteriores. A ideia tomou corpo sendo concretizada em um projeto de extensão da UNIVILLE.

3 comentários em “Avanços e retrocessos: considerações sobre a trajetória do uso do cinema na sala de aula

  1. QUE BOM QUE ENCONTREI ESTE SITE ,TENHO UM TRABALHO PARA CONCLUIR E ELE ME FOI DE GRANDE VALIA!

  2. Maria Resende
    12 de fevereiro de 2013

    Parabéns pelo trabalho! Foi muitissimo esclarecedor.
    Grata,
    Maria

  3. katia
    24 de setembro de 2014

    Nós da Escola de Ensino Fundamental Professora Zelita, Cipó-Ba, já utilizávamos o recurso cinematográfico desde o ano de 2010, por iniciativa da professora de Artes Kátia Brito, que preocupava-se com o pouco recurso dialógico entre os alunos quanto ao conceito cultural, pouco discutido e a limitação interpretativa que fazia com que os alunos tivessem dificuldade em dissertar sobre questões como obras literárias e até filmes que assistiam. A ideia de fazer ampliar o olhar diante de imagens e abordagens subjetiva, fez com que a arte do cinema entrasse na escola, para auxiliar nas disciplinas de Português,Redação, História, Geografia, Ciências, Filosofia e Matemática utilizando a metodologia do assistir, analisar, discutir, criticar, e dissertar sem imposições, ,acompanhados pelo orientador, que pauta as reflexões pertinentes.
    Mesmo resistindo a não aceitação de alguns, sente-se hoje amparada pela lei e orgulhosa por saber que foi pioneira no assunto ,como disciplina específica na Escola. Só o fato de nossos alunos conhecerem uma obra, fazendo ele qualquer crítica sobre o assunto já nos dá enorme prazer, mesmo porque a arte é democrática e os diferentes pontos de vista devem ser respeitados. O nosso respeito maior pelos que produzem a arte do cinema, autores, diretores que favorece inspiração aos nossos alunos na produção de vídeos para a nossa mostra anual. Viva o cinema, de preferencia o nacional.

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